Cursos, Dicas, Óleos Essenciais

Um pouco sobre a Aromaterapia

As grandes civilizações da Antiguidade recorriam constantemente às plantas aromáticas com finalidades de tratamento físico e espiritual: os Vedas na Índia, o Livro do Imperador Amarelo na China, o Antigo Testamento entre o hebreus, o Papiro de Ebers no Egito. Neles encontramos citações de mirra, cedro, gengibre, ginseng, canela, estoranque, vetiver, olíbano, gálbano, cálamo entre outras.

Apesar dos gregos Hipócrates e Discorides já falarem de águas destiladas aromáticas e suas propriedades terapêuticas, é no séc. X na Arábia, com Avicena, que têm-se o primeiro registro do processo de arrefecimento, ou seja, o uso da serpentina para resfriar e condensar o vapor.

O termo aromaterapia surge séculos depois, em 1920 com o francês René Gattefossé. Conta-se que ao queimar o braço num acidente em seu laboratório, se recuperou em pouco tempo com o uso do óleo essencial de lavanda em sua pele. Realmente é um produto muito eficaz na regeneração epitelial, bastando diluir 1 gota em 20 de água e aplicar no local afetado, sendo, contudo, imprescindível o natural e não as essências sintéticas encontradas em algumas lojas.

De lá pra cá, com o aperfeiçoamento várias tecnologias, descobriu ser, o aroma de uma planta, proveniente de uma classe de moléculas muito pequenas, chamadas de terpenos, constituindo os óleos essenciais.

Apesar de levarem o nome de óleos, não têm nada a ver com gorduras ou ácidos graxos, ao contrário destes, eles evaporam facilmente, daí o fato de sentirmos seus perfumes, quase sempre agradáveis e tão potentes, que tomam conta do ambiente onde se encontram.

Alguns exemplos são o mirceno no capim-limão (Cymbopogon citratus), o linalol na lavanda (Lavandula officinalis) responsáveis por atividades relaxantes e anti-estresse; o a-bisabolol da camomila (Matricaria recutita) e o b-cariofileno na copaíba (Copaifera officinalis) com comprovada ação antibacteriana. Efeitos antimicrobianos foram encontrados para os arilpropanoides, outra classe de substâncias que também compõe os óleos essenciais, como o eugenol encontrado no cravo (Syzygium aromaticum) e na canela (Cinamomum zeylanicum).

É interessante observar que estudos científicos constataram uma maior permeabilidade dos componentes através da pele humana, quando utilizando óleo essencial in natura do que quando utilizando seus princípios ativos isolados, sugerindo dessa forma uma interação cooperativa entre os componentes.[1]

Óleos essenciais agem terapeuticamente no emocional. Em relação aos de laranja, rosa e lavanda, respectivamente, constatou-se efeito ansiolítico (combater ansiedade) semelhante ao diazepam, medicamento alopático de referência, com a vantagem de não ter os efeitos colaterais dele.[2][3][4]

Óleos essenciais agem terapeuticamente no físico. Vários deles têm sido testados como uma alternativa aos antibióticos, como o tea-tree, cravo, eucalipto e hortelã. O óleo essencial da erva-baleeira se tornou matéria-prima do primeiro anti-inflamatório tópico feito a partir do óleo essencial de uma planta brasileira, se mostrando tão eficaz quanto o diclofenaco, mas com menos efeitos colaterais.[5]

A relação das propriedades farmacológicas dos óleos essenciais é infindável: ação carminativa (digestiva); anti-hiperglicêmica (diabete); antiespasmódica (cólicas); analgésicas; cardiotônicas; anti-inflamatória; revulsiva (aumentam a microcirculação da pele); secretolítica (tosses); agindo ainda sobre o sistema nervoso central como estimulantes ou relaxantes dependendo da composição.[6]

As capacidades antissépticas e antimicrobianas fazem deles ideais para purificar o ar, o corpo na higiene pessoal e até como inseticidas no estoque de grãos e preservação de alimentos. Inibem o crescimento de bactérias, fungos, vírus e protozoários, produzindo menor probabilidade de resistência, além do que alguns demonstram clara capacidade antimutagênica e anticarcinogênica.[7]

Diversos artigos científicos, dissertações e teses acadêmicas vem sendo realizados confirmando a eficácia dessas substâncias, além disso, existem muitas espécies medicinais da tradição popular em que se ignora a existência delas em sua constituição química, como foi o caso da árvore Para-tudo (Hortia brasiliana) pesquisada em nossa dissertação de mestrado, onde detectamos a-bisabolol e cariofileno, de reconhecidas propriedades anti-inflamatórias e antimicrobianas.[8]

Nas poderosas substâncias dos óleos essenciais se encontram uma promissora ferramenta para o uso em enfermidades tanto agudas como crônicas, ampliando o arsenal terapêutico na busca pela saúde.

 

[1]SCHMITT, S. et al. Variation of in vitro human skin permeation of rose oil between different application sites. Forsch. Komplementärmed. v.17, p. 126-131, 2010.

[2]LEITE, M. P. et al. Efeitos comportamentais de ratos após inalação do óleo essencial de Citrus aurantium L. Revista Brasileira de Farmacognosia, v.18, supl. 0, p. 661-666, 2008.

[3]ALMEIDA, R. N. et al. Anxiolytic-like effects of rose oil inhalation on the elevated plus-maze test in rats. Pharmacology Biochemistry and Behavior, v. 77, p. 361-364.

[4]CHIOCA, L.R. Avaliação do mecanismo de ação do efeito tipo ansiolítico da inalação do óleo essencial de lavanda em camundongos. 2013. 92p. Tese (Doutorado em Farmacologia). Setor de Ciências Biológicas, Universidade Federal do Paraná. Curitiba.

[5]REFSIO, C. et al. Avaliação clínica da eficácia e segurança do uso de extrato padronizado da Cordia verbenacea em pacientes portadores de tendinite e dor miofascia. Revista Brasileira de Medicina, n. 62, v. 1 e 2, p. 40-46, 2005.

[6]SIMÕES, C. M. O. et al. Farmacognosia: da planta ao medicamento. 5.ed.,  Porto  Alegre / Florianópolis:  Editora UFRGS /  Editora UFSC, 1102p., 2004.

[7] AFFONSO, R. S. et al. Aspectos químicos e biológicos do óleo essencial de cravo-da-índia. Rev. Virtual de Química, n. 4, v. 2, p. 146-161, 2012.

[8]MAGALHÃES, C.C. Caracterização química e atividades farmacológicas de Hortia brasiliana Vand. ex DC. 2012. 128p. Dissertação (Mestrado em Ciências Farmacêuticas). Programa de Pós-Graduação em Ciências Farmacêuticas. Faculdade de Farmácia, Universidade Federal de Juiz de Fora, Juiz de Fora, Minas Gerais.
 Carlos Cerqueira Magalhães
Farmacêutico. M.S. em Ciências Farmacêuticas (área de concentração Produtos Naturais Bioativos) – UFJF
Ministra cursos e palestras sobre Práticas Integrativas e Complementares, entre elas, aromaterapia.
Idealizador da linha Cheiro de Saúde Fragrâncias Terapêuticas.
Contato: terapiaaromatica@outlook.com

O Profº Carlos Cerqueira Magalhães  estará no ES, ministrando o Curso de Aromaterapia em agosto. Clique aqui, para informações sobre o curso